quarta-feira, 9 de junho de 2010

Batalha do Rock 05/06

Neste sábado, dia 05 de junho, aconteceu um dos eventos mais esperados dos últimos tempos na cidade do Rio Grande. Junto com os Funeral Voix, o Batalha do Rock sempre foi um evento de grande público e grande prestígio na cidade. Essa última edição começa boa bem antes das portas dos evento (um bocado atrasadas) serem abertas. Bastante gente ficou sabendo lá pela frente mesmo que a Nitrovoid, uma das bandas participantes do evento, tinha sido classificada para a final de evento/festival promovido pela produtora Beco de Porto Alegre, em parceria com a cervaja Polar. O concurso de bandas chamado "A Melhor é Daqui" agregou um grande contigente de excelentes bandas do RS, entre estas algumas outras bandas de Rio Grande como Outdate e tangerines e ainda outros nomes de peso da região, como a pelotense Canastra Suja. Contudo, entre as seis escolhidas pelo público para participar da final, a nossa representante ficou sendo a Nitrovoid, banda de São José do Norte com membros também de Rio Grande. Logo no primeiro show o clima do festival já ficou altamente animado. A primeira banda a apresentar seu show foi a Pano de Fundo. Seguindo o mesmo vigor e excelência em execução e arranjos apresentados no Maio Cultural, alguns dias antes, a Pano de Fundo conseguiu agradar gregos e troianos, todas as tribos e tipos de público presentes no festival organizado por Piter.



A segunda banda da noite foi a Drift Five. Seguindo uma linha de bandas que se auto-definem como hardcore melódico, a Drift Five aparentemente apresentaria um show estigmatizado por fazer parte de um momento de tendências nem sempre bem aceitas no rock. Surpreendentemente, o público aplaudiu, acompanhou e respeitou demais o trabalho da banda. Evidentemente isso é completamente justificado por conta do trabalho sério e competente da banda. O ponto alto do show da Drift Five é a enregia que é emanada durante a execução de cada música, com destaque especial para o estilo agressivo e técnico do baterista Paulo Gabriel, vulgo Batatinha. Infelizmente, devido a alguns problemas técnicos, a Drift Five não acabou sua apresentação, mas pode deixar uma boa impressão no palco do Batalha do Rock.



Com tempo extra para a sua apresentação, a terceira banda da noite foi a aclamadíssima Nitrovoid. Quem sabe por conta do êxtase da boa notícia da classificação para a final do concurso na capital gaúcha, ou quem sabe apenas pelo brilhantismo que acompanha cada indivíduo da Nitrovoid nos últimos tempos, o show foi de uma magnitude atípica aos palcos da cidade. Era um conjunto monstruoso, uma conspiração favorável em todos os aspectos para que aquele momento ficasse eternizado nos anais do rock de Rio Grande. E todos contemplaram, acompanharam, aprovaram e pediram por mais. É bastante difícil descrever algo que beira o ideal num palco de shows, mas foi isso que foi e é o que se pode dizer. Não é a toa que a Nitrovoid está alcançando os picos mais altos, que, é bom que não se esqueça, são os mais difíceis de serem escalados e mais propícios a grandes problemáticas, todas superadas, sem dúvida, até esse momento. Fica, além dos parabéns pelo grande show, o parabéns pelas conquistas até agora, Nitrovoid.



Além disso, é claro, ficam também os parabéns para o Piter e toda equipe competentíssima do Batalha do Rock por proporcionar um espetáculo digno do público sedento da cidade do Rio Grande. Não fiquei para ver a banda Al-Kaeda, mas espero que o evento tenha sido bom do início ao fim. Parabéns, Batalha do Rock.

Maio Cultural no Petruzzi

Quem sabe um pouco tarde, mas aproveitando o tempo livre pra dar uma atualizada aqui. Bom, o Maio Cultural já terminou suas atividades, mas fica aqui um breve registro sobre um dos últimos shows do evento. No dia 28 de maio, apresentavam-se três grandes bandas da cidade. Lá por volta de 9 da noite, a RadioWave, banda focada em covers de bandas dos anos 80, 90 e anos 2000 com vocais femininos (ou nem sempre), subia ao palco improvisada e simpático do restaurante, que já estava completamente lotado no espaço reservado ao público. No repertório músicas de artistas cmo Seal, Joss Stone e outros grandes nomes do R&B, pop, funk e rock mundial. Um show repleto de carisma e arranjos impecáveis e muito bem executados.



Em seguida, e não deixando o clima ficar mais amêno, a veterana Vander Vogel (devo se é com W ou com V) executa suas músicas próprias, já bastante conhecidas pelos fãs e amigos da banda. O show da banda torna-se bastante interessante por tratar-se de uma banda necessariamente de músicas autorais, mas que faz com tudo soe extremamente familiar e agradável ao ouvido mais exigente. Uma banda com qualidade indiscutível e de arranjos muito interessantes.



A Pano de Fundo, quem sabe a banda mais esperada da noite, foi a última a tocar no evento. Contando com a animação ímpar da platéia que almejava ávida pelas covers "lado B", marca registrada da banda, a Pano de Fundo, evidentemente, não decepcionou. Na minha opinião, o ponto forte da banda continua sendo o trabalho de vocais impecável e assustadoramente de bom gosto. Músicas como "Carry on my Wayward Son", do Kansas, fazem com que o público mais fiel fique com os olhos cheios de lágrimas, tal a excelência na execução do cover. Além disso, é claro, sempre um feeling extraordinário durante toda apresentação e, para coroar a noite, homenagens aos grandes Dio e Bebeco Garcia.



Definitivamente uma noite de sucesso para o Maio Cultural em um ambiente excelente, de público participante e de apresentações sem comparação. Brilhante.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

FEARG 2010

Quase fim do prazo pra quem quiser fazer a inscrição. O deadline é amanhã, então, corram pra deixar material.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Maio Cultural - Cordas & Vozes - 3ª edição

Aconteceu ontem, dia 19 de maio, no Centro Municipal de Cultura, a terceira edição do projeto Cordas & Vozes. O projeto, como o nome já aponta, visa a presentação acústica de vários artistas e bandas com trabalhos de autoria própria. Um pouco desse formato proposto pelo evento é para ilustrar uma parte bastante importante dos processos de composição da maior parte das bandas, onde normalmente temos o violão como elemento primordial e base do que virá a ser o arranjo final da música. Outra parte, como afirmado por um dos próprios organizadores do evento e idealizador do projeto, Carioca Feitosa, visa a facilidade e a dinâmica que uma apresentação com violão e voz (e eventualmente outros elementos) pode oferecer. O público, que acomodava-se timidamente pelas cadeiras do salão do local era, como de praxe, basicamente composto por músicos e demais artistas locais, fato que não faz do evento um fracasso, mas sim um grande sucesso. Apesar de haver sempre uma urgência por participação de público interessado e não apenas envolvido com arte, é sempre excelente saber que o há apoio e, no mínimo, interesse do artista no trabalho de outros artistas. Além disso, o ambiente sempre repleto de amigos, conhecidos e simpatizantes faz com que o clima fique agradável e com que todo esforço de quem participa valha a pena. A primeira apresentação da noite, quando o relógio marcava aproximadamente 20:30, ficou por conta de um juntamento composto por este que aqui escreve, Régis Garcia (Stay, LOUD!, tangerines), tocando seu violão, um dos organizadores do evento, Rafael Nasic (Stay, Pesadelo 136), no vocal, Felipe Amaral (Chihuahuas), no cajon e, em uma das músicas, J.F. Costa (Nitrovoid). A apresentação foi basicamente um tributo em voz, percussão e violão ao Queda Livre, E.T.H.E.R e Película Suburbana, banda fundamental no cenário musical em São José do Norte. A apresentação começou com o clássico "Vomitei na tua boca", da Película Suburbana, onde J.F. Costa, como representante da cidade vizinha São José do Norte aqui em Rio Grande, participou engrossando o caldo sonoro com um violão.






Logo em seguida, Will Farias (violão), Deividi Souza (voz) e Wagner Almeida (violão) foram ao palco para representar a banda Drowsiness. O pessoal optou por apresentar tanto composições mais antigas quanto mais recentes, finalizando com "Coma". A apresentação da Drowsiness foi marcada por problemas técnicos e, com certeza, em virtude disso, um pouco de nervosismo. Dou destaque ao vocal de Deividi Souza, que de maneira acústica fica bastante claro e suave.



Seguindo no mesmo clima bastante alternativo, uma parte da banda Trend apresentou suas composições com uma proposta bastante orgânica e, ao mesmo tempo, diferenciada. Rafael Rechia (violão e voz) e Thiago Iankoski (violão) tocaram composições próprias em língua inglesa acompanhados da sonoridade de um violão de 12 cordas e um violão com slide, microfonados, procurando manter um padrão blueseiro e bastante natural. Aliado ao clima blues tradicional dos violões, a inovação ficou por conta, em determinados momentos, da aplicação de um pouco de distorção na voz de Rafael. Destaque para a excelente Jesus of Mercedes.



Com o público mais presente e definitivamente entrando no clima do evento, a banda The Frowzys - os Carpenters de Rio Grande, apresenta uma proposta acústica que, de certa maneira, remete ao som plugado da banda. Além do vocal tímido e meigo da vocalista Suellen (que por sinal contrasta com a acidez de alguns trechos das letras da banda, oferecendo ao público um clima de deboche), Luiz Young foi ao palco munido de seu ukulele enquando Eduardo Custódio sustentava a base com o violão, para, logo em seguida, alternar com Young e encarar o pequeno instrumento de quatro cordas. Uma apresentação bastante agradável aos ouvidos de todos presentes no local do evento.



Com muito humor, como sempre, os próximos convidados do evento foram os sanguessugas retirantes. Novamente com a participação de Felipe Amaral no cajon, a Vampiros Nordestinos, representada por Carioca Feitosa no violão e voz e André Ravara na no violão, apresentou, entre outras, a já clássica "Clóvis" e a quase psicodélica "Máquinas". O mais bacana durante o show da Vampiros Nordestinos, além do humor, é claro, foi o entrosamento dos músicos, mesmo sendo tudo, aparentemente, no improviso. Sem sombra de dúvidas uma das melhores apresentações da noite.



Em seguida, já com o tempo estourando, a Nitrovoid, aparentemente banda mais esperada da noite, sobe ao palco e oferece ao público músicas do novo EP e do registro sonoro posterior - Morphocoda. J.F. Costa (voz e violão) e Erlon M. (violão e vocais) apresentaram ao público ainda presente em grande quantidade as músicas "Juiz Celestial", "Bota Velha Preta" e "Calvário", canção ainda não apresentada em registros oficiais da banda. A riqueza dos detalhes e arranjos nas composições da Nitrovoid é definitivamente o fator que faz com que a sonoridade da banda não seja apenas visceral, mas também madura e fácil de digerir.



Finalmente, encerrando a noite, Rafael Nasic (voz e violão), Enio Estima (vocais e violão) e, em uma das canções, Luiz Young (violão e ha-ha-ha) mostraram que não há necessidade de distorção para fazer punk rock divertido e, ao mesmo tempo, responsável. Uma apresentação bastante rápida e rasteira, fechada com chave de ouro por um dos maiores clássicos da música da cidade: "Fogo no Relógio".





De maneira geral, considerando a normal pouca participação do público da cidade e o fator data no meio da semana, o evento foi mais que um sucesso. Como sempre, toda movimentação artistica e cultural é essencial para fomentar o crescimento do cenário, bastante precário até o momento, mas não em termos de artista, mas sim de apoio de todas as outras camadas e nichos da sociedade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Coletânea Rio Grande é Rock Vol. I

Não, pessoal. Infelizmente não estou escrevendo para comentar o lançamento da Coletânea Rio Grande é Rock. Estou escrevendo quase em tom de reclamação, com um sentimento bem ruim de falta de finalização, para protestar sobre o andamento de tal iniciativa. O projeto, idealizado e iniciado no segundo semestre de 2008, ainda não foi concluído devido aos inúmeros atrasos no decorrer das grvações. No plantel do projeto estavam as bandas tangerines, Crossword, Drowsiness, Chernobyl, Lastweek e Nitrovoid. No decorrer do projeto algumas das bandas já lançaram material paralelo, o que faz com que a lentidão da coletânea seja pouco justificada. Alguns problemas pessoais de ordem maior também ofereceram impediemntos ao andamento do, problemas inevitáveis e normais em uma gravação, principalmente quando tratamos de vários envolvidos. Todas as bandas presentes no projeto são boas bandas dentro do proposto por seu foco e definitivamente - assim como a maior parte das bandas de Rio Grande - se fazem carentes por material de qualidade. Este quadro está aparentemente mudando e, cada vez mais, bandas estão investindo em boas gravações e em material de divulgação digno de qualquer selo por aí. Nesse sentido, tanto essa coletânea em si quanto a proposta de trazer ao público coletâneas similares é bastante promissora, só que há necessidade de que o andamento seja seguido após o início dos trabalhos. Fica a quase que recalmação em relação ao bom trabalho que pode vir por aí. Estamos todos ansiosos e na espera de resultados o mais breve possível. Era isso.

Inscrições FEARG 2010 - Identidade Urbana

De acordo com Law Tissot, um dos responsáveis pelo palco Identidade Urbana da FEARG, as inscrições já estão abertas para os músicos e bandas interessadas em participar do evento. As inscrições para bandas de rock e rap ocorrem do dia 3 ao dia 28 de maio na Amperg, nos turnos da manhã e tarde. Sobre os requisitos básicos para a inscrição, Law ressalta que "as bandas/grupos que desejarem participar da seleção DEVEM apresentar um material gravado em CD ou DVD, além disso a apresentação deve ser legal mesmo, né? Capa, release, enfim, tudo aquilo que se espera de um trabalho de arte decente, como é o caso do rock ou do rap". Para as bandas que já participaram do evento é necessário o envio de novo material, pois "a AMPERG é uma empresa organizada, todo o material de 2009 está arquivado. Então, em 2010, outro projeto..."

Para obter mais informações acesse: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=128638&tid=5459621990349954784&kw=fearg+2010&na=4&nst=1&nid=128638-5459621990349954784-5460283453463196775

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Musique – Soundtracks for Pedestrians (2010)

Quem nunca pegou a si mesmo caminhando ao som de uma batida peculiar enquanto fazia um trajeto sem nem ao menos perceber que o estava fazendo? O “Soundtrack for Pedestrians”, novo álbum do Musique, definitivamente possui essa característica mágica de agir como um guia urbano físico e espiritual aos ouvintes e fãs do trabalho. O novo disco do Musique conta com seis belas faixas completamente inéditas e concebidas, produzidas e finalizadas pelo idealizador do projeto - o produtor Musique. Entre outros detalhes, a parafernália digital usada por ele é composta por softwares como, por exemplo, Sonic Foundry Vegas, Cubase, Fruity Loops e muitos plugins, alguns novos e outros que já haviam sido trabalhados durante o processo de confecção do álbum “Sectors” (2008). Além de todo aparato digital, dessa vez Musique investiu muito mais na utilização de elementos humanos como vocais. A ausência de voz percebida até “Sectors” é brilhantemente compensada no novo trabalho com participações de extremo bom gosto e, é claro, com os vocais do próprio Musique. Além disso, tecnicamente falando, a masterização do álbum, que em trabalhos anteriores seguia os padrões de Emílio GoldMic ficaram basicamente a cargo do idealizador e condutor da trama toda. De acordo com o próprio Musique: “o padrão de masterização seguido em processos anteriores visava à utilização das músicas em ambientes onde havia mais necessidade de pressão sonora. Esta é a marca do GoldMic ao fazer masterização. Já para este novo disco procurei um master final mais ‘muscular’ e direcionado ao tema e foco do projeto”, ou seja, músicas em que o transeunte pode apreciar usando seus fones de ouvido. É claro que, mesmo com a proposta diferente, a masterização não deixou a desejar nem alterou a essência musical do projeto como uma seqüência. Um dos detalhes que chama muito a atenção em relação ao processo de criação do “Soundtracks for Pedestrians” é o fato das músicas serem compostas de maneira bastante peculiar: enquanto o responsável pelas idéias anda pela rua. “Eu sempre componho caminhando, a idéia aparece e eu tento traduzir mais tarde”, afirma Musique. As idéias iniciais para este projeto começaram a ser exploradas logo ao final dos trabalhos de finalização do “Sectors”.

Um excelente exemplo para ilustrar a aura do novo trabalho do Musique é a primeira faixa que compõe o álbum, “Helicopters”. A faixa é um relato quase neurótico sobre um indivíduo que vê helicópteros enquanto anda pela rua. O desespero e o estado mental delicado ficam evidentes no refrão “Helicopters/Flying over you/Bringing all the desperation/That you can’t ever go through” repetido timidamente como se fosse uma súplica por uma solução enquanto o assustado e perturbado ser vaga tentando livrar-se das aeronaves. “Eu queria escrever uma letra diferente, algo mais elaborado e sci-fi”, reforça Musique - que experimentou sutilmente com o uso de uma linguagem mais informal assumidamente influenciada por artistas de Rap e Hip-Hop da velha escola. “Helicopters” será a música de trabalho do “Soundtracks for Pedestrians” e pode inclusive dar origem a um videoclipe produzido por Sandro Mendes.

A segunda faixa, “Faithful” (cujo título de trabalho era “Heart”) possui uma transição (involuntária, segundo Musique) brilhante e conta com os singelos vocais de Marina Reguffe. A faixa possui uma bela mensagem sobre fidelidade a si mesmo, aos próprios princípios e sobre auto-evolução. Para Musique, “Faithful é sobre ser você mesmo e não ceder”, assumir as conseqüências e liberar o potencial enrustido dentro de cada um. Ainda de acordo com o letrista, aparar as arestas (“cutting the rough”) e admitir a necessidade de ajuda não são sinais de fraqueza nem de humilhação, mas sim de manter-se aberto aos elementos da oportunidade como é possível verificar em “Liberate the growth/Open door for growth, ‘cause you’ve got one chance...”. Chama a atenção o uso de uma melodia latina, quase flamenca de violão por sobre a massa de elementos climáticos e cósmicos.

Seguindo a linha das participações, a terceira faixa, “Burden” (título de trabalho: ‘Fournotes’), conta com a ótima participação da vocalista da banda Outdate, Karol S. De todas as letras, “Burden” é, quem sabe, minha favorita. Além da complexidade lírica, a qualidade reflexiva da letra é assustadora. A letra inspirada no filme de 2007, “Into the Wild”, dirigido por Sean Penn, narra uma situação semelhante àquela vivenciada pelo jovem Chris McCandless, um norte-americano de classe média que resolve deixar todo frenesi da civilização para trás e encontra refúgio na natureza selvagem. A trama calcada no livro escrito por Jon Krakauer retoma noções de escapismo e inocência muito bem dispostas na letra da faixa “Burden”. Para Musique, o fardo em “Burden” é o de seguir aceitando todos os preceitos oferecidos pela sociedade e pela dita civilização, “é a utilidade posta à prova, sentir-se útil”. Uma das surpresas na produção desta faixa é a utilização de um sample da banda norte-americana 10 Years em uma das camadas ao fundo da pista. O arranjo original foi trabalhado para que os tons se adaptassem ao arranjo da faixa da Musique, dando um ar de naturalidade completa no contexto.

Ao passo em que falo sobre naturalidade, lembro da citação de Musique em relação ao arranjo de “From the Heart”, quarta faixa do álbum: “A From the Heart reitera que a música é eletrônica, mas feita com muito amor”, com o coração pulsante, elemento constante no trabalho completo. Esta foi uma das letras que Musique diz ter feito em um quarto de hotel em São Paulo, sem ouvir a música, encaixando os fraseados de cabeça. A faixa, de linda melodia e ótimos arranjos, liricamente insiste na idéia de não deixar dúvida quanto ao método artesanal de composição mesmo em meio aos elementos menos orgânicos. Mais uma vez temos os belos vocais de Marina Reguffe em uníssono aos vocais de Musique. “Essa faixa tem algumas coisas interessantes”, conta o produtor. “Ela nasceu enquanto eu mostrava para meu sobrinho como usar o Fruity Loops...” Além disso, uma das camadas foi concebida por conta de uma buzina de caminhão, que soou enquanto ele ouvia a música nos headphones: “O caminhão buzinou na hora e ficou perfeito. Depois foi só tentar compor aquele barulho”, completa.

A penúltima faixa do “Soundtracks for Pedestrians”, Urban Pop, “está um passo a frente de tudo que eu já fiz com o Musique”, cita. Todo o orgulho em relação ao trabalho não é infundado. Além de recuperar a temática inicial e a intenção contextual do disco, “Urban Pop” oferece ao ouvinte mais exigente uma gama gigantesca de timbres orgânicos e fluídos que realmente colocam a faixa acima das outras nesse quesito. Mesmo retomando e recuperando elementos da faixa “Morrigan” (o jogo de palavras ‘motion/emotion’), primeira do disco Reverse, de 2005, esse trabalho é visivelmente um dos que mais agrega elementos das novas influências do Musique onde tudo isso faz parte de um “novo capítulo na minha vida... é uma identificação de tudo que o Musique se tornou”, afirma. “Liricamente, ela é a minha ‘What’s My Name’” e prossegue: “É uma coisa interessante trazer uma auto-identificação num quinto álbum”, novamente assumindo beber na fonte Hip-Hop, mas à maneira Musique.

Para finalizar o álbum temos uma faixa que, de certa maneira, recupera um pouco dos trabalhos do “Sectors”, principalmente por não ter uma grande quantidade de linhas de vocal como as faixas anteriores. “Loneliness”, assim como “Burden”, utiliza elementos de outras bandas. A base de teclado e o dedilhado da faixa compõem um sample retirado de arranjos da banda alemã Darkseed, novamente adaptados ao contexto proposto pelo Musique. “Queria fazer uma faixa climática, sem batidas e foi uma boa escolha para ser a outro.”, adiciona. De acordo com ele, “Loneliness” é sobre achar o equilíbrio, sobre encontrar um sonho maior, algo meio utópico e belo como John Lennon haveria de propor que imaginássemos. “Loneliness” é sobre estar longe dos problemas do cotidiano, longe dos problemas que assolam tanto o indivíduo quanto o coletivo no dia-a-dia.

De maneira geral, o álbum nos remete a uma paisagem urbana complexa e antagonicamente serena. Ao mesmo tempo, “Soundtracks for Pedestrians” oferece uma visão introspectiva e reflexiva, mas nunca descartando a possibilidade de mudança para o completo oposto de tudo. A arte da capa e toda concepção artística do projeto ficaram a cargo do talentoso músico e artista J.F. Costa, vocalista e guitarrista da banda Nitrovoid. Mesmo tendo finalizado o disco recentemente, o Musique não parece estar disposto a dar férias aos processos produtivos. De acordo com o produtor, já existe toda uma nova concepção e novas idéias interessantes para a confecção de um novo álbum. O melhor de tudo é que não sabemos se devemos ou podemos esperar uma continuação do trabalho em “Soundtracks for Pedestrians” ou se esperamos por algo completamente inovador. Afinal, como consta na letra de “Loneliness”, “We need to change the route of our lives”.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Com delay!

De Palco do Rock - Blog


Pois é, pessoal. Os comentários sobre a noite de quarta-feira, dia primeiro de julho, estão saindo apenas hoje, quase dois dias depois. Explico: sou um pobre moço atarefado, cheio de provas pra corrigir e coisas pra fazer, além, claro, de ensaiar e tocar. Aproveitando o gancho da explicação, convido os leitores de última hora para comparecerem aos shows da noite no I.U. e, como homens múltiplos que somos, ao palco do Festival Seiva da Terra. No Identidade Urbana o pessoal pode conferir a Contagiros, do grande Barcellos, Dirty Monkey Sex, Noctluka, do famoso Bruno Acosta e companheiros e finalmente, fechando a noite, a banda Livres de Si. No palco do teatro estará acontecendo o Festival Seiva da Terra com a participação de inúmeras bandas de Rock da Cidade e inclusive de Pelotas. Bom, voltando ao tópico inicial, a noite de quarta foi bastante complicada pra mim. O primeiro show que pude ouvir (e não assistir), foi a da MTI.

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Boa banda, muito entrosada, firme mesmo. Cheguei no final do show dos caras, mas deu pra perceber que não deixam nada a desejar se comparados com os grandes nomes do pop/rock nacional que são homenageados no repertório da MTI.

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Felizmente, já dentro da feira e de frente pro palco, tive o previlégio de assistir a banda que eu mais esperava na noite, a The Members. Com um repertório basicamente de músicas de autoria dos membros da banda, os membros só não tocaram a si mesmos no final do show, fizeram um 69 (Eyes - "Framed In Blood") e um momento descontraído de remember com "Streets of Philadelphia", do tiozão Bruce Springsteen. Show do caramba. Presença de palco, participação do público, música própria, tudo muito bom... exceto pelos pequenos problemas técnicos. Em alguns momentos a guitarra simplesmente sumia da frente.

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Ao final do show, conversando com o guitarrista da Members, Sr. Marcos Souza, verifiquei que o problema era com o AC/DC. Não, não a banda, mas a energia elétrica, as tomadinhas. Tudo bem, problemas técnicos sempre existiram e sempre existiram. Nada que tirasse o brilho do show bacana da The Members. Destaque pra giradinha - já clássica - de camiseta do frontman Rick Soares.

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O show seguinte também era um dos que eu realmente queria ver. A The Putados sempre chamou minha atenção não apenas pela excelente qualidade sonora, mas também pelo apelo quase teatral da banda. No palco, os músicos da The Putados encarnam personagens mutreteiros bem conhecidos do povo brasileiro. Com nomes como Walter Big Pizza, Fofão Mensalão e por aí vai, a banda trata com humor as caricaturas muito bem apresentadas no palco. Contudo, o destaque maior vai pro sonzão dos caras. Ops, só caras, não! A The Putados conta com Paulinha Maracutaia nos vocais, o que concede aos marmanjos uma grande possiblidade de explorar nuances atípicas ao lugar comum visto volta e meia por aí. O som bastante funkeado também tem momentos de Surf Music e rock/blues e afins.

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Em suma, um baita show pra quem, além de humor, curte qualidade. O último show da noite foi a da não tão jovem Lastweek. Digo não tão jovem por saber que todos alí já estão faz um tempão batalhando por espaço no meio dos dinossauros. E conseguiram. Ok, ok! Admito que ainda me assusto quando escuto o início do show da Lastweek. O estilo também conhecido por escreamo é uma vertendo do hardcore melódico com uma pitada de algo mais poluído, os gritos a grosso modo. Depois que o ouvido acostuma fica mais fácil entender a proposta da Lastweek. E é uma boa proposta. Coesa e bastante pesada, a banda mostrou que possui energia de sobra pra mover o público - muito grande, por sinal - que estava lá para conferir (e alguns apenas pra isso mesmo) o showzão que seguiu. Não tive oportunidade de ver o show até o fim, mas duvido que a banda tenha deixado a desejar. As fotos, como sempre, são cortesias de Titi. Era isso, pessoal. Mais uma noite no palco I.U. na FEARG pra entrar pra história e provar que o espaço cedido está sendo bem usado. Abraços e até a próxima.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quarta-feira pra se aquecer.

Hoje, quarta-feira, a partir das 19h, o público da FEARG/FECIS poderá conferir a apresentação de quatro bandas papareias e prestigiar suas composições. Nesta quarta-fria (mais uma), sobem ao palco: MTI (19h),  The Members (20h), Os The Putados (21h) e  Lastweek (22h) encerrando a sessão.
O Rio Grande em Bandas fez a cobertura dos shows da MTI e do pessoal da The Members, no ano de 2007, no Palco do Rock. Para saber como foi e ter um gostinho do que pode vir a rolar logo mais, é só clicar aqui:
Lembrando que o palco Identidade Urbana se localiza no parte exterior da feira, próximo ao parque de diversões. Não perdam!

Crosword/Wander Vogel/Kandelabro/Rumble Fish @ FEARG 2009

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29 de Junho de 2009.
Crosword/Wander Vogel/Kandelabro/Rumble Fish @ FEARG 2009.

Primeiro dia, com o show da E.T.H.E.R.? Ausente. Motivo? Trabalho.
Segundo dia, com os shows das bandas de metal? Ausente. Motivo? Ensaio.
Terceiro dia de rock no Palco Identidade Urbana? PRE-SEN-TE! Motivo? Feriado.

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Pois é. Não fosse o feriado, eu teria que ficar de fora de mais essa oportunidade de comprovar (Crossword e Rumble Fish), relembrar (Wander Vogel) e conhecer (Kandelabro) grandes talentos da música local, escolhidos sem erro de critério por Law Tissot para integrarem esta noite no palco Identidade Urbana da FEARG.

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A Crossword entrou com seu pós-grunge sólido, pesado e ao mesmo tempo 'FM'ish e acessível. Tocou alguns hits, como "How You Remind Me", do Nickelback e "Breakout", do Foo Fighters; alguns covers mais obscuros, como as duas músicas do Theory Of A Deadman (fico feliz em ser o "propagador oficial" do T.O.A.D. e saber que mais gente está curtindo essa banda Canadense), além de "Metalingus", do Alter Bridge (com participação de William, da Drowsiness) e os costumeiros Silverchairs. Entretanto, as melhores músicas foram as quatro próprias. "For All Of Us" um pouco mais riffeira e pula-pula. "Looking At You" funcionando bem ao vivo, com suas mudanças de andamento e, obviamente, mais crua, sem o arranjo orquestrado da versão do HD Virtual. "Trust" sendo a cara da banda, fluindo com naturalidade, além da nova "Afternoon", mantendo a coerência estética e sonora. Apreciei sem moderação e baterei um papo construtivo com o Lester, ainda assim.

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A Wander Vogel já era conhecida minha de outros carnavais. Sempre foi uma banda de inegável talento vocal e instrumental, mas desta vez prestei igual atenção na parte composicional. Constatei que a banda não investe muito em refrões, o que é algo ousado e diferenciado. Os vocais de Leandro e Mauro seguem excelentes.

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A banda conta com três guitarras e com uma relação de baixo e bateria bastante técnica e intrincada. A minha favorita foi uma faixa com uma pegada mais Pearl Jam (obviamente). Eles só tocaram músicas próprias.

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A Kandelabro faz um rock na linha 80's, com ligeiras semelhanças à Sisters Of Mercy, Joy Division e até Legião Urbana ou Secos e Molhados, por ser em português. Impossível deixar de notar o baixo acústico, tocado pelo Pedro. Criou um efeito diferenciado, especialmente no visual.

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Bom timbre de guitarra, boas batidas do Eninho (muito seguro e econômico) e excelente performance e letras do frontman. A banda apresentou letras intrigantes, com bastante conteúdo e não muitos refrões - por sinal, ainda lembro bem do refrão da última faixa do show (acredito que o título desta música seja o próprio
nome da banda). Bom trabalho, Kandelabro! Anseio por um registro de estúdio. Eles também só tocaram músicas próprias.

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A Rumble Fish encerrou a noite com uma performance bastante convincente, contando com músicos do porte de Leôpa [baixo/vocal], Feijão [bateria/vocal], Adriano [guitarra/vocal], além de terem tido o reforço de Magalhães [percussão] e Axel Antunes [teclados] em boa parte do repertório.

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Interessante o fato de a Rumble Fish estar arriscando composições próprias - algo que eu não esperaria deste trio. Devo dizer que são músicas que não ficam, de forma alguma, aquém dos covers que executam. Desta forma, criei em mim uma expectativa alta para uma futura gravação dos Rumble Fish. Os covers de "Remedy", dos Black Crowes e "Love Me Two Times", do The Doors, parecem ter sido os recebidos com a maior empolgação por parte dos presentes, que até não eram exatamente muitos, mas todos muito atentos, trocando ideias entre si e, evidentemente, aplaudindo - não só a Rumble Fish - mas as bandas anteriores também.

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Uma noite bastante proveitosa e uma forma muito salutar de pegar um fôlego neste feriado pré-correria/final de semestre. Ao contrário do que possa estar sendo pregado, o clima estava 100% paz, amor e entendimento - usando os termos cunhados por Costello (e
alguma vez foi diferente, hein?)!

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Mande material de sua banda para musicabigriver@gmail.com e integre o HD Virtual local!
Prestigie baixando, ou dando play em músicas executadas ou compostas por riograndinos no HD Virtual local, cujo endereço é:

musicabigriver.4shared.com
senha: musicabigriver

e torne-se um fanático por música local.

Texto recebido do colaborador Rk (Imprensa Musical em Rio Grande http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=25804247) e fotos de Titi (http://www.flickr.com/photos/thiagopiccoli).