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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Maio Cultural - Cordas & Vozes - 3ª edição

Aconteceu ontem, dia 19 de maio, no Centro Municipal de Cultura, a terceira edição do projeto Cordas & Vozes. O projeto, como o nome já aponta, visa a presentação acústica de vários artistas e bandas com trabalhos de autoria própria. Um pouco desse formato proposto pelo evento é para ilustrar uma parte bastante importante dos processos de composição da maior parte das bandas, onde normalmente temos o violão como elemento primordial e base do que virá a ser o arranjo final da música. Outra parte, como afirmado por um dos próprios organizadores do evento e idealizador do projeto, Carioca Feitosa, visa a facilidade e a dinâmica que uma apresentação com violão e voz (e eventualmente outros elementos) pode oferecer. O público, que acomodava-se timidamente pelas cadeiras do salão do local era, como de praxe, basicamente composto por músicos e demais artistas locais, fato que não faz do evento um fracasso, mas sim um grande sucesso. Apesar de haver sempre uma urgência por participação de público interessado e não apenas envolvido com arte, é sempre excelente saber que o há apoio e, no mínimo, interesse do artista no trabalho de outros artistas. Além disso, o ambiente sempre repleto de amigos, conhecidos e simpatizantes faz com que o clima fique agradável e com que todo esforço de quem participa valha a pena. A primeira apresentação da noite, quando o relógio marcava aproximadamente 20:30, ficou por conta de um juntamento composto por este que aqui escreve, Régis Garcia (Stay, LOUD!, tangerines), tocando seu violão, um dos organizadores do evento, Rafael Nasic (Stay, Pesadelo 136), no vocal, Felipe Amaral (Chihuahuas), no cajon e, em uma das músicas, J.F. Costa (Nitrovoid). A apresentação foi basicamente um tributo em voz, percussão e violão ao Queda Livre, E.T.H.E.R e Película Suburbana, banda fundamental no cenário musical em São José do Norte. A apresentação começou com o clássico "Vomitei na tua boca", da Película Suburbana, onde J.F. Costa, como representante da cidade vizinha São José do Norte aqui em Rio Grande, participou engrossando o caldo sonoro com um violão.






Logo em seguida, Will Farias (violão), Deividi Souza (voz) e Wagner Almeida (violão) foram ao palco para representar a banda Drowsiness. O pessoal optou por apresentar tanto composições mais antigas quanto mais recentes, finalizando com "Coma". A apresentação da Drowsiness foi marcada por problemas técnicos e, com certeza, em virtude disso, um pouco de nervosismo. Dou destaque ao vocal de Deividi Souza, que de maneira acústica fica bastante claro e suave.



Seguindo no mesmo clima bastante alternativo, uma parte da banda Trend apresentou suas composições com uma proposta bastante orgânica e, ao mesmo tempo, diferenciada. Rafael Rechia (violão e voz) e Thiago Iankoski (violão) tocaram composições próprias em língua inglesa acompanhados da sonoridade de um violão de 12 cordas e um violão com slide, microfonados, procurando manter um padrão blueseiro e bastante natural. Aliado ao clima blues tradicional dos violões, a inovação ficou por conta, em determinados momentos, da aplicação de um pouco de distorção na voz de Rafael. Destaque para a excelente Jesus of Mercedes.



Com o público mais presente e definitivamente entrando no clima do evento, a banda The Frowzys - os Carpenters de Rio Grande, apresenta uma proposta acústica que, de certa maneira, remete ao som plugado da banda. Além do vocal tímido e meigo da vocalista Suellen (que por sinal contrasta com a acidez de alguns trechos das letras da banda, oferecendo ao público um clima de deboche), Luiz Young foi ao palco munido de seu ukulele enquando Eduardo Custódio sustentava a base com o violão, para, logo em seguida, alternar com Young e encarar o pequeno instrumento de quatro cordas. Uma apresentação bastante agradável aos ouvidos de todos presentes no local do evento.



Com muito humor, como sempre, os próximos convidados do evento foram os sanguessugas retirantes. Novamente com a participação de Felipe Amaral no cajon, a Vampiros Nordestinos, representada por Carioca Feitosa no violão e voz e André Ravara na no violão, apresentou, entre outras, a já clássica "Clóvis" e a quase psicodélica "Máquinas". O mais bacana durante o show da Vampiros Nordestinos, além do humor, é claro, foi o entrosamento dos músicos, mesmo sendo tudo, aparentemente, no improviso. Sem sombra de dúvidas uma das melhores apresentações da noite.



Em seguida, já com o tempo estourando, a Nitrovoid, aparentemente banda mais esperada da noite, sobe ao palco e oferece ao público músicas do novo EP e do registro sonoro posterior - Morphocoda. J.F. Costa (voz e violão) e Erlon M. (violão e vocais) apresentaram ao público ainda presente em grande quantidade as músicas "Juiz Celestial", "Bota Velha Preta" e "Calvário", canção ainda não apresentada em registros oficiais da banda. A riqueza dos detalhes e arranjos nas composições da Nitrovoid é definitivamente o fator que faz com que a sonoridade da banda não seja apenas visceral, mas também madura e fácil de digerir.



Finalmente, encerrando a noite, Rafael Nasic (voz e violão), Enio Estima (vocais e violão) e, em uma das canções, Luiz Young (violão e ha-ha-ha) mostraram que não há necessidade de distorção para fazer punk rock divertido e, ao mesmo tempo, responsável. Uma apresentação bastante rápida e rasteira, fechada com chave de ouro por um dos maiores clássicos da música da cidade: "Fogo no Relógio".





De maneira geral, considerando a normal pouca participação do público da cidade e o fator data no meio da semana, o evento foi mais que um sucesso. Como sempre, toda movimentação artistica e cultural é essencial para fomentar o crescimento do cenário, bastante precário até o momento, mas não em termos de artista, mas sim de apoio de todas as outras camadas e nichos da sociedade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Coletânea Rio Grande é Rock Vol. I

Não, pessoal. Infelizmente não estou escrevendo para comentar o lançamento da Coletânea Rio Grande é Rock. Estou escrevendo quase em tom de reclamação, com um sentimento bem ruim de falta de finalização, para protestar sobre o andamento de tal iniciativa. O projeto, idealizado e iniciado no segundo semestre de 2008, ainda não foi concluído devido aos inúmeros atrasos no decorrer das grvações. No plantel do projeto estavam as bandas tangerines, Crossword, Drowsiness, Chernobyl, Lastweek e Nitrovoid. No decorrer do projeto algumas das bandas já lançaram material paralelo, o que faz com que a lentidão da coletânea seja pouco justificada. Alguns problemas pessoais de ordem maior também ofereceram impediemntos ao andamento do, problemas inevitáveis e normais em uma gravação, principalmente quando tratamos de vários envolvidos. Todas as bandas presentes no projeto são boas bandas dentro do proposto por seu foco e definitivamente - assim como a maior parte das bandas de Rio Grande - se fazem carentes por material de qualidade. Este quadro está aparentemente mudando e, cada vez mais, bandas estão investindo em boas gravações e em material de divulgação digno de qualquer selo por aí. Nesse sentido, tanto essa coletânea em si quanto a proposta de trazer ao público coletâneas similares é bastante promissora, só que há necessidade de que o andamento seja seguido após o início dos trabalhos. Fica a quase que recalmação em relação ao bom trabalho que pode vir por aí. Estamos todos ansiosos e na espera de resultados o mais breve possível. Era isso.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quente noite do frio metal

De Palco do Rock - Blog


Não é sempre que um evento como a FEARG acolhe em um de seus palcos bandas como as que estiveram por lá nesse último sábado, dia 27 de junho. Os show acontecidos foram a prova necessária para quem não acreditava no potencial do estilo em relação ao contexto da feira. Nos momentos em que me afastei do palco para comprar algo bebível tive a oportunidade de perceber que o público do palco principal - pasmem - era menor que o do Identidade Urbana. Sobre os shows, posso dizer que sempre tive boas considerações pra fazer sobre as bandas que lá tocaram.

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Quem chegou cedo conseguiu conferir a Montreal, uma banda bastante pesada, mas com o lirismo peculiar das linhas de hardcore melódico e afins da nova geração. Um som bastante consistente e bastante original pro contexto da cidade. A Montreal, escalada aos 48 do segundo tempo pra feira, não deixou a desejar, mas infelizmente não contava com tanto público logo no início. Em seguida, no fim da tarde, ao cair do primeiro sereno da noite, subia ao palco a War Machine, banda da qual faço orgulhosamente parte. No repertório uma mistura bastante branda de covers e influências e composições próprias, todas em língua inglesa. No repertório de covers Deep Purple, Whitesnake, Mr. Big, Rush e outros. De acordo com Law Tissot, destaque para o short do baterista Lizandro Mello.

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Após o show da War Machine subia ao palco a banda Drowsiness. Confesso que descreditei a capacidade da banda de conseguir entrar no clima do palco naquele dia específico. No momento do ínicio do show já era visível que a banda não ficaria descontextualizada naquela fria noite de quente metal ou quente noite de frio metal. Com muito vigor e pegada, a Drowsiness fez um show brilhante, atípico e ao mesmo tempo surpreendente para aquela noite em especial. Com os acordes de "Back In Black" do AC/DC, subia ao palco a New Hell, banda já veterana nos palcos de Rio Grande. Com um repertório significativo em termos de covers, a New Hell começou a aquecer o público que chegava sedento por metal. Destaque maior para as guitarras de Gustavo e a presença do baixista da banda, Lobato.

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O último bloco do palco Identidade Urbana (que nessa noite virava mais uma vez o mitológico palco do rock) se aproximava enquanto a New Hell fechava o seu show com muito vigor. Abrindo com a antológica "Refuse/Resist" do álbum Chaos A.D. do Sepultura, a Hammer, banda que fazia sua estréia naquele momento, levantava o público já quente e presente no palco. O show da Hammer, assim como o da New Hell, foi recheado de cover excelentes, do Metallica até o Motorhead. Um show muito pegado e pesado, mostrando a cara de uma nova grande banda de metal tradicional pra cidade. Destaques para a língua do baixista Gene e para a presença e segurança do vocal Thiago (ex Estrada), que além de suprir as necessidades vocalisticas da Hammer sabe como dominar o público no show. Finalizando a noite, e nada mais justo, estava a Gothic Sky. Com seu estilo gótico e vampírico, a Gothic Sky criou a atmosfera necessária para fechar a noite daquele dia 27 de junho. Dividindo vocais fúnebres com lamentos mórbidos, a banda ainda conta com elementos de viking metal além do clima Edgar A. Poe. Por sinal, ao ler um conto ou um poema do autor norte-americano, sugiro degustar o som da Gothic Sky. Além disso, destaque para a nova fase e o mais novo membro da banda, Moisés, um dos grandes nomes do underground e da música da cidade. Vale lembrar também que a Gothic Sky tem seu foco no trabalho próprio, o que valoriza ainda mais a identidade da banda e lhe assegura um destaque ainda maior.

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Em suma, a noite de sábado no Identidade Urbana, onde skate e metal interagiam e se integravam, não poderia ter sido mais interessante e agradável. Mais um mérito para a feira e para as bandas que fizeram do evento o palco de um espetáculo nem sempre visto com bons olhos por aí. Era isso.

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