quarta-feira, 12 de maio de 2010
Coletânea Rio Grande é Rock Vol. I
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Crosword/Wander Vogel/Kandelabro/Rumble Fish @ FEARG 2009
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29 de Junho de 2009.
Crosword/Wander Vogel/Kandelabro/Rumble Fish @ FEARG 2009.
Primeiro dia, com o show da E.T.H.E.R.? Ausente. Motivo? Trabalho.
Segundo dia, com os shows das bandas de metal? Ausente. Motivo? Ensaio.
Terceiro dia de rock no Palco Identidade Urbana? PRE-SEN-TE! Motivo? Feriado.
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Pois é. Não fosse o feriado, eu teria que ficar de fora de mais essa oportunidade de comprovar (Crossword e Rumble Fish), relembrar (Wander Vogel) e conhecer (Kandelabro) grandes talentos da música local, escolhidos sem erro de critério por Law Tissot para integrarem esta noite no palco Identidade Urbana da FEARG.
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A Crossword entrou com seu pós-grunge sólido, pesado e ao mesmo tempo 'FM'ish e acessível. Tocou alguns hits, como "How You Remind Me", do Nickelback e "Breakout", do Foo Fighters; alguns covers mais obscuros, como as duas músicas do Theory Of A Deadman (fico feliz em ser o "propagador oficial" do T.O.A.D. e saber que mais gente está curtindo essa banda Canadense), além de "Metalingus", do Alter Bridge (com participação de William, da Drowsiness) e os costumeiros Silverchairs. Entretanto, as melhores músicas foram as quatro próprias. "For All Of Us" um pouco mais riffeira e pula-pula. "Looking At You" funcionando bem ao vivo, com suas mudanças de andamento e, obviamente, mais crua, sem o arranjo orquestrado da versão do HD Virtual. "Trust" sendo a cara da banda, fluindo com naturalidade, além da nova "Afternoon", mantendo a coerência estética e sonora. Apreciei sem moderação e baterei um papo construtivo com o Lester, ainda assim.
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A Wander Vogel já era conhecida minha de outros carnavais. Sempre foi uma banda de inegável talento vocal e instrumental, mas desta vez prestei igual atenção na parte composicional. Constatei que a banda não investe muito em refrões, o que é algo ousado e diferenciado. Os vocais de Leandro e Mauro seguem excelentes.
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A banda conta com três guitarras e com uma relação de baixo e bateria bastante técnica e intrincada. A minha favorita foi uma faixa com uma pegada mais Pearl Jam (obviamente). Eles só tocaram músicas próprias.
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A Kandelabro faz um rock na linha 80's, com ligeiras semelhanças à Sisters Of Mercy, Joy Division e até Legião Urbana ou Secos e Molhados, por ser em português. Impossível deixar de notar o baixo acústico, tocado pelo Pedro. Criou um efeito diferenciado, especialmente no visual.
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Bom timbre de guitarra, boas batidas do Eninho (muito seguro e econômico) e excelente performance e letras do frontman. A banda apresentou letras intrigantes, com bastante conteúdo e não muitos refrões - por sinal, ainda lembro bem do refrão da última faixa do show (acredito que o título desta música seja o próprio
nome da banda). Bom trabalho, Kandelabro! Anseio por um registro de estúdio. Eles também só tocaram músicas próprias.
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A Rumble Fish encerrou a noite com uma performance bastante convincente, contando com músicos do porte de Leôpa [baixo/vocal], Feijão [bateria/vocal], Adriano [guitarra/vocal], além de terem tido o reforço de Magalhães [percussão] e Axel Antunes [teclados] em boa parte do repertório.
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Interessante o fato de a Rumble Fish estar arriscando composições próprias - algo que eu não esperaria deste trio. Devo dizer que são músicas que não ficam, de forma alguma, aquém dos covers que executam. Desta forma, criei em mim uma expectativa alta para uma futura gravação dos Rumble Fish. Os covers de "Remedy", dos Black Crowes e "Love Me Two Times", do The Doors, parecem ter sido os recebidos com a maior empolgação por parte dos presentes, que até não eram exatamente muitos, mas todos muito atentos, trocando ideias entre si e, evidentemente, aplaudindo - não só a Rumble Fish - mas as bandas anteriores também.
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Uma noite bastante proveitosa e uma forma muito salutar de pegar um fôlego neste feriado pré-correria/final de semestre. Ao contrário do que possa estar sendo pregado, o clima estava 100% paz, amor e entendimento - usando os termos cunhados por Costello (e
alguma vez foi diferente, hein?)!
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Mande material de sua banda para musicabigriver@gmail.com e integre o HD Virtual local!
Prestigie baixando, ou dando play em músicas executadas ou compostas por riograndinos no HD Virtual local, cujo endereço é:
musicabigriver.4shared.com
senha: musicabigriver
e torne-se um fanático por música local.
Texto recebido do colaborador Rk (Imprensa Musical em Rio Grande http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=25804247) e fotos de Titi (http://www.flickr.com/photos/thiagopiccoli).
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Sexismo Musical
O papel da mulher na sociedade vem sendo discutido com bastante fervor no mundo inteiro nas últimas décadas. O feminismo e a revolta constante contra o sexismo são tópicos que ganham força maior a cada dia não só no ocidente, mas também no oriente. Entretanto, mesmo que o assunto parece trivial e também aparente rumar para uma solução que não exclua o indivíduo baseado na questão do gênero, é evidente que ainda há muito a ser discutido. Em Rio Grande o assunto tem sido debatido através de fóruns na internet, dando idéia e argumentos iniciais pra essa proposta de argumantação do assunto por aqui. Por incrível que pareça, ainda há resistência e dúvidas quanto ao espaço da mulher no cenário musical da cidade. Para ajudar a entender um pouco mais o assunto em questão, duas musicistas de Rio Grande foram convidadas para conversar um pouco e expor idéias aqui no blog. Cissa Laval, 26 anos, começou a se envolver com música desde bem jovem. Com 9 anos de idade já participava de festivais infanto-juvenis e com 15 anos já era integrante de algumas bandas de baile. O seu próximo passo foi o ingresso na Universidade Federal de Pelotas para o curso de Música – modalidade Licenciatura. Cissa identifica preconceito não apenas de gênero no cenário nacional e na cidade, mas um preconceito musical. Para Cissa, que atua como educadora musical, a falta de investimento e de profissionalismo na educação musical faz com que muitas pessoas não encarem a música como algo acessível para todos: “Nós temos sim muitas mulheres de sucesso na música, mas infelizmente, de um modo geral, somente as cantoras tem o devido reconhecimento. Além disso, percebo no meio musical certo preconceito com o cantor, como se canto não fosse instrumento e como se cantar não precisasse de estudo continuo. Não culpando somente a mídia ou coisa do tipo, acredito também na falta de coragem de algumas meninas que pensaram um dia em tocar baixo ou guitarra e desistiram por se acharem despreparadas. O reconhecimento não vem de graça, nós devemos lutar por ele.” Fernanda Peres, a Few, 18 anos e tocando faz quase um ano, é um excelente exemplo da batalha por um espaço do sexo feminino no cenário musical de Rio Grande. Ainda sem formação na área, Few estuda contrabaixo elétrico para aprender um pouco mais sobre o instrumento e poder encarar o universo das bandas. Em relação ao espaço da mulher na música, Few discorre sobre a questão do tempo. De acordo com ela, o tempo é inimigo do espaço e do reconhecimento principalmente de instrumentistas tanto no cenário nacional quanto em Rio Grande. Few acredita tem havido uma evolução na aceitação da mulher na música, mas que com o tempo é muito possível que as coisas melhorem.
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Cissa Laval
Tanto Few quanto Cissa têm como grandes influências outras musicistas. Fernanda cita Melissa Auf Der Maur e a Tal Wilkenfeld, as duas baixistas, enquanto Cissa assume que 90% de suas influências são femininas. Cissa demonstra grande entusiasmo quando fala de Ana Carolina e sua aptidão e facilidade não só para voz, mas também para instrumentos de corda e ritmo. Sua outra grande influência é Elis Regina, que por sua capacidade interpretativa, de acordo com a educadora musical de Rio Grande, é uma diva brasileira sem deixar qualquer dúvida. No entanto, nem Few nem Cissa citam qualquer musicista de Rio Grande como influência, o que demonstra claramente que há ainda uma lacuna grande e uma carência de instrumentistas e vocalistas mulheres em qualquer segmento musical em Rio Grande.
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| De Rio Grande em Bandas |
Few
Quando questionadas quanto ao preconceito ou presença de qualquer segmentação sexista no contexto de Rio Grande, tanto Cissa quanto Few assumem que nunca sofreram preconceito direto por serem mulheres. Few explica que normalmente escuta comentários maliciosos por terceiros sobre a posição da mulher no cenário musical. A baixista explica que já escutou algumas vezes que “mulher não combina com instrumento” e que o lugar das mulheres não é em bandas. Confirmando a atitude de certos indivíduos sobre mulheres na música, Cissa comenta já ter ouvido comentários que certamente desmotivam a entrada de instrumentistas no cenário como, por exemplo, “mulher não tem a mesma pegada de guitarra pra tocar rock”. Cissa explica que “o mais importante é que a própria mulher acredite no seu potencial, busque melhorar sempre [...] a música é uma fonte infinita, nunca se sabe tudo, não existe aposentadoria e muito menos o melhor músico do mundo. Tudo pode ser superado.” Para ambas musicistas, o preconceito e o sexismo tem que ser superado através da participação mais ativa das aspirantes a musicistas ou as já reconhecidas no cenário musical de Rio Grande. Cissa vai um pouco além. Sua crítica não se limita apenas ao preconceito sofrido pela questão do gênero, mas também pelo determinismo masculino em relação ao que é considerado instrumento ou papel da mulher na música. Concordando com a questão do tempo também citada por Few, Cissa explica que já sofreu preconceito “na verdade não só por ser mulher, mas por ser ‘apenas’ uma cantora. Meu trabalho é todo voltado para o canto, mas sou educadora musical de formação acadêmica e, claro, estudei outras coisas. O fato é que falta ainda respeito pela mulher como profissional da música em coisas simples, ao discutir um arranjo de igual pra igual, por exemplo. A impressão que dá é de que mulher só entende de cantar, cantor só entende de cantar, um erro já que existem produtoras do sexo feminino, ainda em pequena escala, mas isto vai mudando com o tempo. Ana Carolina produz seu trabalho todo pessoalmente, para dar um exemplo”. Para finalizar, Few afirma que “tem que acabar com esse clichê de que música é sós pra homem, ambos os sexos têm a mesma capacidade pra tudo, inclusive pra música. A paixão, a vontade de tocar pode vir de qualquer um, seja homem ou mulher”. Como se fosse um complemento, Cissa explica que “essa discussão é muito valida. Penso que pra começar tem que olhar mesmo o nosso mundo, aqui. A cidade do Rio Grande é uma fonte de grandes músicos e devemos estender as oportunidades e incentivar o estudo da musica entre as mulheres também. Estudo é a palavra chave para o tão sonhado reconhecimento”.
Rio Grande é uma cidade que possui uma quantidade significativa de mulheres na música. Como exemplos podemos citar a também educadora musical Cláudia Braunstein, Luciana Lima (Dupla Face, Patuá), Aninha (tradicionalismo), Marina Pereira (Luiza Prefere a Morte), Carol (ex-Cacofonia), Polly (HalfPipe) Marina Reguffe (ex-Lollypop), Deka Santorum, Nyh (ex-Ether) e outras excelentes musicistas. Few é baixista da Crossword. A banda de post-grunge já vem se destacando no cenário musical da cidade e demonstrando grande potencial em composições próprias. O interessante é que Few está no meio de músicos promissores, ignorando a premissa de que uma jovem musicista não teria lugar no meio de bons músicos. Após trabalhar com regência por 4 anos nos corais da Universidade Federal do Rio Grande e 2 anos no coral do município de São José do Norte/RS, Cissa atua como cantora e professora de técnica vocal (voltada ao canto popular) pela escola Espaço Musical JD (http://espacomusicaljd.
